domingo, 10 de janeiro de 2010

As pontes de cada um

Eu não quis falar da virada do ano logo de cara, não acho que as coisas vão mudar tanto assim, embora eu faça considerações sobre a passagem do tempo cronológico, e assim, também faço as minhas propostas de renovação, me imponho metas, falo com pessoas que durante os 365 dias do ano que passou, eu não tive contato.

Quase sempre fico mais melancólica nessas épocas entre Natal e Reveillon. Mais reflexiva. Fico cansada do tanto de compromissos sociais dos quais não consigo me livrar. Fico insatisfeita por não me programar direito para as férias que se seguem. E já não entro em algumas "roubadas" - designação que atribuo à certas situações dessa vida.

Decididamente, não gasto mais tubos de dinheiro por causa de uma noite apenas de fogos, palmas para Yemanjá e roupas brancas. Quanto aos presentes, acho que são legais de trocar. Eu gosto de presentear aqueles de quem gosto e de ter um bom motivo para abrir um espumante e ingerir aquelas borbulhas fantásticas. Mas até isso tem me enjoado um pouco. Aquela coisa insana de enfrentar lojas e shoppings para comprar qualquer bobagem descartável e desnecessária, só para dizer que não esqueceu de fulano ou beltrano, está fora do meu contexto. E me senti ótima assim.

Fiz umas comprinhas pela Internet, os presentes atrasaram. Outra experiencia adquirida e já abandonada. Vivendo e aprendendo. A melhor parte ainda é dar presentes para as crianças que realmente acreditam no Papai Noel. Para essas ainda vale à pena. Mas nesse calor de El Nino, incompreensível e insuportável para mim, só de pensar no modelito da figura natalina e de todos aqueles que têm que incorporá-lo, minha pressão despenca e fico com uma certa aversão à tradição.

E assim, como me permito escrever aqui só quando eu quero, numa espécie de catarse pessoal, deixei passar esse periodo, embora tenha percebido que se passou uma década significativa na minha vida. Estou mais próxima dos 40 agora e bem distante das minhas aspirações. Isso me provoca um certo sufocamento.

Aí resolvi assistir "As Pontes de Madison". Só para terminar de me torturar com o preço das minhas escolhas e consequentes frustrações. Amo esse filme que andava esquecido. Me emocionei de novo com ele, só que numa fase completamente diferente da minha vida. Chorei um balde por mim mesma.

Para quem não sabe, o filme conta uma história de amor na maturidade da vida dos protagonistas. Ambos já passados dos 50 anos, com uma vida presumivelmente estruturada e definida, sem esperanças de grandes surpresas.

Francesca, a personagem de Meryl Streep, é uma dona de casa do Iowa, imigrada da Itália pelo casamento com um americano - o único homem que havia conhecido até então. Mãe de dois filhos adolescentes, isolada na sua pacata vida doméstica, representa uma ponta da típica familia do sonho americano.

Robert, vivido por Clint Eastwood, é fotógrafo e jornalista da National Geographic. Um aventureiro andarilho e solitário, gentil em seu modo de ser, mas que nunca havia enxergado alguém de fato, que percorre quase todos os caminhos do mundo para um dia estar ali naquele lugar e conhecer Francesca.

O encontro dos dois é uma dessas ocasionalidades da vida. Francesca limitada por seu cotidiano simplório, compartilha com Robert, a admiração por suas aventuras e andanças. E assim instala-se uma paixão de 4 dias entre eles, meio etérea, que chega tarde, pressupondo renúncias dolorosas.

Apesar de se manter oculta e desconhecida por terceiros, esse amor é revelado após a morte dos que a viveram, aos filhos de Francesca, numa espécie de anotações deixadas por ela como legado às escolhas deles.

O filme tem cenas sutilissimas, transbordando as dores das escolhas, num amor transcedental e de muito bem querer. Chorei muito mesmo, algo que necessito fazer de vez em quando, para sentir de verdade o que se passa dentro de mim, me oprimindo, me machucando e pulsando. Isso tudo até a manhã seguinte, quando refeita e imbuída do papel que sou obrigada a representar todos os dias, me sinto mais humana e um pouco mais em paz com minhas urgências e insatisfações. Agora sim, que venha mais uma década na minha ordinária existência

Um lugar muito aprazível

Sobre a virada do ano de 2009 para 2010, iniciando nova década, preciso fazer justiça ao prazer de comer, beber e viver.

Final de tarde do 1º dia do ano, encontrei pessoas queridas no Aprazível - restaurante que faz juz ao nome que tem, localizado ali em Santa Teresa.

Dia bonito que só, calorzinho danado, sô!

Tomei um piscinão - caipirinha de caju ma-ra-vi-lho-sa - e pedi a tradicional galinhada caipira, prato mineiro típico da casa, fusionado ao toque francezinho que o lugar oferece.

A galinhada é um arroz de frango e linguiça mineira, acompanhado de banana assada, couve refogada, feijão vermelho e farofinha. Parece pesado e é. Mas vem servido de um jeitinho totalmente possível, mesmo no calor.

O pãozinho de queijo com linguiça é de enlouquecer, apesar de hardcore.

Dessa vez não pedi o palmito pupunha de entrada,
que é altamente recomendável.




Uma tarde assim, totalmente aprazível, incluindo uma vista deslumbrante, com direito a castelinho e tudo na paisagem.

"Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender".

O resto a gente faz.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O código do talento

"Todo mundo tem um talento. O que é raro é a coragem de seguir o talento para o lugar escuro onde ele leva."
Erica Jong

Algumas pessoas nascem com um dom. Um tipo de presente que vem em seus DNA's. Uma espécie de magia própria. Algumas dessas pessoas, demonstram suas aptidões artísticas, esportivas, científicas ou seja lá quais forem, logo cedo, como se esses dons pulsassem incontroláveis dentro delas, levando-as a expressarem suas aptidões explicitamente.

Outras precisam de algum estímulo para desenvolverem suas habilidades geniais.
Tem as que descobrem seus dons por acaso. Outras, lamentavelmente, nunca os descobrem.

E mais triste ainda, na minha opinião, é quando algumas os identificam, mas não sabem ou não querem desenvolvê-los. Seja por uma questão de estima pessoal, falta de confiança ou por não saberem o que fazer com eles. E tem também aqueles casos injustos de falta de oportunidade.

Quem não descobriu sua própria inclinação, aquilo que a difere das demais, aquilo que lhe é tão peculiar, passa por essa vida com uma estranha sensação de inutilidade.

Mas aquelas que desperdiçam os dons que possuem, principalmente os artísticos, mesmo tendo consciência deles, me irritam. Talvez porque eu me sinta tão medíocre, tão admiradora do talento delas, que não aceito suas omissões. Para mim é o assassinato do encanto, do que vale à pena, do que as torna realmente interessantes.

Dito isso, divulgo aqui alguns desenhos de alguém que me é muito próximo e sufoca, dia-a-dia, o dom e o talento que vieram em seu código genético, e são inerentes a ela.

"Uma grande quantidade de talento é desperdiçada pela falta de um pouco de coragem. Todos os dias seguem para o túmulo, homens obscuros, cuja timidez os impediu de fazer uma primeira tentativa." Sidney Smith

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Veneno dos Borgia

Decidi falar de Lucrecia Borgia, uma figura feminina que muito me interessou, corroborando a minha tese de que os muito bonzinhos não dão uma boa história para contar.

Há a fantasia de que ela foi uma mulher poderosa e má, capaz de manipular e seduzir os homens, mantendo-os aos seus pés. Ficou conhecida como uma das femme fatales mais famosas da história, pelo hábito de envenenar os homens dos quais queria se livrar usando um pó que, supostamente, guardava num anel. Embora totalmente sem evidências, essa fofoca histórica alimenta o imaginário coletivo.

Teve três casamentos e uma vida marcada por episódios de intriga, assassinatos, luxúria, devassidão e incesto. Sem graça é que não foi, né?

Nasceu em 1480, em Subiaco, na Italia, sendo filha ilegítima do ambicioso Cardeal Rodrigo Bórgia, aquele que se tornaria o Papa Alexandre VI (o mesmo que assinou o Tratado de Tordesilhas), com sua amante Vanozza dei Cattanei, numa época em que ser membro da Igreja não era uma questão religiosa, mas sim uma forma de poder e dominação. Com esta mulher, o Cardeal também teve César (1475), Giovanni (1477) e Geofredo (1481-1483.

Lucrécia foi uma peça importante para os interesses do pai e do irmão, o déspota e sanguinário César, que serviu de inspiração para Nicolau Maquiavel, em "O Príncipe". Daí a expressão maquiavélico. Todos os seus 3 casamentos beneficiaram sua família, coisa mais que comum na época: o das famílias unirem seus reinos para ganharem alguns benefícios.

As intrigas na família Borgia começaram cedo, com a disputa dos irmãos mais velhos, Cesar e Giovanni, acirrados pelos ciúmes que César Borgia sentia diante da preferência do pai e da irmã pelo irmão Giovanni. O que talvez não seja difícil de entender. Cesar Borgia não parecia ser um sujeito agradável.

Aos nove anos, Lucrécia foi para a casa de Adriana de Milá, nobre prima do Cardeal Rodrigo Borgia, para receber uma educação erudita em Roma, condizente com sua condição. Todos os irmãos foram separados. Giovanni foi para a Espanha e César foi obrigado pelo pai a entrar para a vida religiosa, mesmo sem a menor vocação para ela...

Adriana de Milá, era a mãe de Orsino Orsini, garoto com a mesma idade de Lucrécia e recém-casado com Giulia Farnese, de 14 anos, considerada uma beldade na época, e que, apesar de casada, tornou-se amante do Cardeal Rodrigo Bórgia, pai de Lucrécia, com a total conivência da família do seu marido. Giulia chegou a ter uma filha chamada Laura com o cardeal. Tudo permitido e abençoado porque afinal, ele era um dos homens mais poderosos da Itália e um Papa em potencial.

Giulia e Lucrécia ficaram amigas. Aos 13 anos, Lucrecia, considerada a mulher mais bonita e sedutora de toda a Roma renascentista, casava-se com Giovanni Sforza, Senhor de Pesaro, de acordo com os planos e vontades da sua família.

O casamento não foi "literalmente" consumado, pois a noiva foi considerada jovem demais, e nos 2 anos seguintes, o casal passou totalmente separado. Ele, em Pesaro e ela, em Roma, levando a fama de promiscua por participar de verdadeiros bacanais e orgias no Vaticano.

Neste meio tempo, o pai de Lucrecia tornou-se o que se esperava: o Papa Alexandre VI, e expulsou Giulia Farnese, sua amante favorita, do Vaticano, logo depois. Sem a amiga, Lucrecia se aproximou da nova esposa do irmão mais novo, Geofredo: Sanchia de Aragão - filha bastarda do rei de Nápoles. Sanchia tinha fama de frequentar os aposentos do cunhado, Giovanni Borgia, e talvez, também os de César. Sei não, esse Giovanni Borgia devia ter borogodó... Todo mundo gostava dele.

O primeiro casamento de Lucrécia durou pouco tempo, pois o Senhor de Pesaro, logo se tornou um possível aliado dos inimigos dos Bórgia, e Alexandre VI, como bom carcamano que era, lhe propôs a dissolução do casamento. Como Giovanni Sforza recusou-se, o Papa simplesmente decidiu eliminá-lo, comunicando sua decisão à filha Lucrécia, que dizem, mandou o camareiro avisar Sforza, para que ele pudesse fugir.

Giovanni Sforza conseguiu de fato fugir, e Alexandre VI se encarregou de espalhar que ele seria impotente e por isso o casamento não teria se consumado, justificando o pedido de anulação, mesmo sabendo que a primeira esposa do cara tinha morrido de parto.

As calúnias levaram Sforza a difamar toda a família Bórgia, revelando que Lucrecia tinha relações incestuosas com o pai e os irmãos. Essas acusações, embora nunca comprovadas, ultrapassaram séculos carregadas de tragedias, sexo, intrigas, traições, vinganças...

Para completar, em 1497, o irmão mais chegado de Lucrecia, Giovanni, apareceu degolado no Rio Tibre. Todas as evidências apontaram para César Bórgia como sendo o assassino. Além de ter sido visto próximo ao local do crime, ele era a pessoa que mais tinha motivos para assassinar o próprio irmão: a inveja por Giovanni ser o Duque de Gandia, já que sendo ele o mais velho, teoricamente teria esse direito; a preferência do pai pelo irmão morto, além do ciúme doentio que sentia por sua irmã Lucrécia ser mais próxima de Giovanni do que dele. Giovanni era o queridinho, e ele, ao que parece, sempre foi o sinistro da familia. Ao perceber que o próprio filho seria o responsável pelo assassinato, o Papa mandou encerrar as investigações, antes que o escândalo tomasse uma proporção ainda maior, o que já não era mais possível. A família Borgia era do balacobaco...

Depois da anulação do primeiro casamento de Lucrécia, supostamente virgem, ela apareceu grávida, tendo uma criança que ficou conhecida por “Infante Romano”, e que supõe-se, tenha sido filho dela com o camareiro do Papa Alexandre VI, Perotto, fato que nunca foi comprovado. Ainda hoje não se sabe quem realmente são os verdadeiros pais do “Infante Romano”, já que Alexandre VI promulgou duas bulas contraditórias: a 1ª declarando que a criança seria filho de César Bórgia com uma mulher não casada, e a 2ª, declarando-o filho dele mesmo. Estas duas bulas juntas asseguravam, do ponto de vista legal, o futuro da criança e aumentavam as especulações de incesto entre os Borgia. Uma coisa assim tipicamente italiana. Vai pesquisar estes documentos depois. Italiano faz umas bagunças históricas, sim, mas a genialidade compensa...

Alexandre VI escolheu um novo pretendente para Lucrecia: agora era Afonso de Aragão, Duque de Bisceglie, irmão de sua nora, Sancha de Aragão. Esse casamento aumentava os domínios e as pretensões dos Bórgia, deixando César mais perto do trono de Nápoles.

O 2º casamento de Lucrecia com Afonso de Bisceglie, parece que foi feliz, e ela teve então o primeiro filho de quem realmente cuidou: Rodrigo de Bisceglie, em 1499. Logo depois do nascimento da criança, Afonso foi seriamente ferido numa emboscada planejada por Cesar Borgia, mas conseguiu fugir. Tratado apenas pela mulher e pela irmã Sanchia, que preparavam tudo para ele, com medo de envenenamento, ainda assim, enquanto Afonso se recuperava, César Bórgia mandou que invadissem o seu quarto e o estrangulassem, afastando um pretendente legítimo ao trono de Nápoles, que ele, César, tanto desejava. Isso foi em agosto de 1500 e dizem que o próprio Cesar acompanhou a execução do crime. "O Principe" era meio psicopata, há de se convir...

Abalada com a morte trágica do marido, Lucrecia passou um tempo no convento de São Domini. O pai, Alexandre VI, esforçando-se em recuperar a afeição da filha, e de mostrar ao futuro marido que ele já tinha escolhido para ela, que Lucrecia seria capaz de governar se preciso fosse, a nomeou regente de Spoleto e Foligno - cidades ligadas à Santa Sé - entregando-lhe a direção dos negócios internos da Igreja.

Lucrecia entrou para a história como sendo a primeira e única Papisa que existiu, ainda que por uma única semana, quando em 1501, representou o pai, ficando com a administração dos Estados Pontificais, papel que desempenhou muito bem, assim como mais tarde, na ausência do 3º marido, governaria Ferrara.

A atitude escandalosamente inédita de Alexandre VI chocou os cardeais da época, o que alimentou ainda mais as intrigas e especulações sobre as supostas relações incestuosas entre pai e filha.

Last but not least, o 3º casamento de Lucrecia foi com Afonso D’este, herdeiro do trono de Ferrara, que obviamente, hesitou em se casar com ela, pois ele era primo-irmão do 2º marido de Lucrecia, o que foi estrangulado depois de uma emboscada, e também por todos os escândalos que envolviam sua família. A essa altura ela já era considerada uma grande roubada...

Com a ajuda de alguns aliados, como o rei da França, Luiz XII, e de alguns relatórios enviados por embaixadores a pedido do próprio Afonso D’este, investigando sobre a conduta de Lucrécia, ele constatou que além de linda, ela era inofensiva, educada e bonita, e ele, já bastante inclinado a aceitar, decidiu casar-se com Lucrecia.
O contrato de casamento foi assinado em Ferrara, em setembro de 1501.

Alexandre VI, sempe ligado ao poder, escolheu este cara, porque estrategicamente, ele seria obviamente útil aos interesses do filho César, e ao mesmo tempo, porque também seria um marido poderoso o suficiente para proteger a filha das ameaças e pretensões de Cesar, o outro filho, que não tinha muita paciência para esperar quando ávido pelo que queria.

O casamento com Afonso D’este durou até a morte precoce de Lucrecia, em 1519, quando ela tinha apenas 39 anos. Foi logo após o parto de uma menina que já nasceu morta. O casal teve 7 filhos, embora três tenham morrido bem pequenos, e parece que Lucrecia foi bem feliz com Afonso D'este, até onde foi possível.

Lucrécia Bórgia ficou famosa por ter sido uma mulher fatal e cruel, envenenadora de maridos e de quem mais estivesse em seu caminho, seduzindo os homens e manipulando-os. Mas há relatos históricos de que quando governou Ferrara na ausência do 3º marido, ela teria sido uma regente justa, proibindo perseguições aos judeus, e aplicando severas penas aos que descumprissem esta ordem. E há registros de que após uma guerra que arruinou Ferrara, chegou a hipotecar as próprias jóias para ajudar na recuperação da cidade, honrando o título de Duquesa de Ferrara.

Teve contato com grandes artistas renascentistas como Ticiano e Venetto, recebeu o humanista Erasmo em sua corte e manteve contato com grandes escritores da época, promovendo círculos literários. Os Borgia sempre mantiveram boas relações com os também poderosos e influentes mecenas florentinos, os Médici.

Vitor Hugo foi o responsável pela difamação popular de Lucrecia Borgia no século XIX, através do romance, transformado em peça depois, "O Rei se Diverte", de 1824.

Realmente os Borgia oferecem material farto para um laboratório humano,mas Victor Hugo imortalizou apenas o lado fatal de Lucrecia.

Acho que há uma distorção machista e uma injustiça histórica quanto à importância feminina de Lucrecia Borgia. Com uma vida intensa e trágica, ela não foi apenas uma mulher sedutora e devassa. Burra é que ela não foi...

Já a série de quadrinhos eróticos de Milo Manara, inspirada na família Borgia, retrata a promiscuidade do Vaticano, o papel da Igreja nas intrigas em torno da cobiça pelo poder e pela riqueza e o lendário incesto abençoado e executado pelas mãos do Santo Padre. Na série, a Lucrecia, de Manara, faz o capeta e muito mais.

Polêmica é o que não falta. Os Borgia. Aaahhh, os Bórgia...

"Eu sei que eu sou bonita e gostosa
E sei que você me olha e me queeer...
E sou uma fera de pele macia, cuidado, garoto!
Eu sou perigosa...
Eu tenho um veneno no doce da boca.
Eu tenho um demônio guardado no peito.
Eu tenho uma faca no brilho dos olhos.
Eu tenho uma louca dentro de mim.
Eu vou fazer você ficar doido, muito doido, dentro de mim".
As Frenéticas.
Perfeito aqui, né?

domingo, 13 de dezembro de 2009

Uma noite muito agradável

"A amizade é uma forma de nos isolarmos da humanidade, cultivando certas pessoas". Drummond

Aniversário de uma amiga muito querida, muito intensa, de personalidade muito marcante. A escolha do lugar foi perfeita para o encontro de 3 mulheres importantes para ela, cada uma a seu modo. Eu a achei feliz. Foi uma delícia de encontro entre pessoas improváveis de se relacionarem intermediadas por essa amiga em comum, em busca de mais equilibrio e menos paixões.

A questão sobre trabalhos voluntários foi levantada durante o jantar. Engraçado que este mesmo assunto surgiu em 2 ou mais conversas que tive nesta mesma semana. E já vêm aparecendo com alguma frequencia na minha vida. Aquelas estranhas coincidencias, puramente ocasionais, que nos fazem pensar.

O Yumê foi o restaurante japonês, do Jardim Botânico, escolhido pela aniversariante. O ambiente era lindo, lindo. Vinho rosé bem escolhido por ela também. Tudo de bom dessa vida compartilhado com gente que tem o que dizer num sábado agradável que só... Yumê quer dizer sonhos no Japão...

O espaço zen fica em cima de um aquário de carpas. Depois do charmoso primeiro salão e das romanticas cabines, atravessa-se um corredor passando pela cozinha do restaurante e então entra-se num outro ambiente chamado espaço zen. Nele comemos um barco de sushis e sashimis com outras sugestões niponicas bem gostosas.

Juro que eu não sabia, mas pedi uma entradinha para experimentar chamada Sakuro Mango Sushi (nori de manga com tartar de salmão). É que eu adoro entradinhas e essa além de diferente, estava sugestiva. E apetitosa. Pesquisando para esse post soube que foi o prato que agradou La Madonna, em sua visita recente ao Rio, já na fase Jesus Luz.

Depois, apesar da super gripe que me possuía desde o dia anterior, tive a grata surpresa de descobrir uma voz feminina interessantissima numa casa de rock em Botafogo, um bar tipo saloon, com espaço para a performance musical de amadores, onde meu partner volta e meia tem agendamentos. Os frequentadores são sempre os amigos e parentes dos que tocam ali. Nem sempre estou com disposição para bandas de rock, e dessa vez estava realmente cansada, mas quando não se espera nada e ainda assim se é surpreendido, então tudo parece melhor. O repertório do Tequila Sunrise, banda que se apresentou no Saloon 79, era de clássicos do blues, com interpretações fiéis de "I shot the sheriff" e "When love comes to town". Adorei quando a vocalista mandou "Chain of Fool", que faz parte da trilha sonora do filme irlandês "The Commitmments" e "Respect", da Aretha Franklin. A vocalista arrasou.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Hexa Campeão - Contrariando as Possiblilidades

"O acaso é o encontro de duas possibilidades improváveis"
Já dizia João Moreira Salles...

Aquilo que parecia improvável, aconteceu. O gostinho do improvável concretizado tornou tudo melhor. O Flamengo ganhou o campeonato brasileiro depois de 17 anos. E eu que comecei a gostar disso agora, credito à mim e à minha sorte de principiante, a virada rubro-negra. É, eu sei que é muita pretensão, mas eu estou emocionada, não consegui ir ao jogo e gosto de pensar assim.

E olha que o time carioca jogou com sofreguidão. Uuuhhh!!! O Grêmio não entregou o jogo como se dizia por aí... O Flamengo jogou esquisito, travado. O 1º tempo foi uma tortura.

O título funciona como mais uma injeção de ânimo, uma overdose de orgulho na auto-estima carioca tão acarinhada esse ano. Todos os times do Rio se deram bem. Todos os moradores do Rio que têm um time para declarar estão comemorando. Desde os onipresentes rubro-negros, compondo a maior torcida do mundo, aos alvi-negros, tricolores... Uma explosão de energia na cidade sangue-quente, maravilha, mutante. Rio 40º.

O Rio... O Rio vai sediar a Copa de 2014, os jogos Olimpicos de 2016, vai inaugurar um Cafe del Mar nesse verão de 2010, em plena Avenida Atlantica. Juro que eu li sobre isso. O Rio tá que tá. O DJ do Cafe del Mar já imaginou um Rio mais Ibiza.


O Rio pode ser realmente maravilhoso. O Rio precisa ficar mais limpo, se educar, atender com mais esmero os seus habitantes e visitantes, se comportar com mais integridade, precisa cuidar melhor das suas praias, do seu lixo, de suas casas, sua paisagem e de tudo o que pulsa pela cidade. O morador do Rio, seja ele da gema ou não, precisa aprender a exercer com inteligência a sua cidadania, a exigir a melhora dos serviços que paga e mantém, precisa usar a mesma força da torcida rubro-negra que a representa- essa que ocupou cada espacinho do estádio do Maracanã.


Aliás, superlativamente pensando, com muita gente na cabeça, vi uma dica ótima de presente de Natal, na Blue Man.

Uma lixeirinha de plástico colorido em forma de cone. Uma graça mesmo. BBB. Bom, bonito e barato. R$ 5,00. E super prático. É o desejo de um verão melhor a quem se presenteia, seja pelas praias do Rio ou em qualquer outra. Na verdade, em qualquer situação. É o desejo de que o presenteado cuide do seu lixo sem nenhum incômodo.

Voltando ao jogo, esse, em específico, contava com uma uma massa de gente que sofreu para conseguir um ingresso para esse final de campeonato. Foi muito emocionante. Tudo conspirou a favor. Até o sol voltou, mas com menos força que nos últimos escaldantes finais de semana. Ôôôôô! Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe ô!!!! Caramba, tô muito feliz. Esse negócio é muito legal!!!

A menina aí de baixo é a personalíssima Asia Argento, atriz e DJ italiana que eu admiro. Mocinha de atitudes polêmicas e vestidinha de vermelho e preto. Entrou no post.

Amanhã o Rio vai acordar mais orgulhoso, mais vermelho e preto, mais bem humorado!

"Praia e sol,
Maracanã, futebol
Domingo, que lindo!

Domingo
eu vou ver meu time jogar
Tomara que ele saiba ganhar
Se souber vai ser muito bonito,
ver de alegria o povo sorrindo.
Que maravilha essa vida maneira,
tem gente aí que ainda não viu
como é gostoso esse sol quando brilha
Iluminando esse imenso Brasil!

O Rio sempre está lindo
com meu amor eu vou indo.
A brisa fresca batendo no lindo corpo moreno,
brincar ao sol no mar,
depois sambar, sambar,
sambar, sambar, sambar
brincar ao sol no mar
"

Essa música é do Bebeto. É. Eu disse Bebeto. Um cantor tipicamente carioca que gravou também outras musiquinhas ótimas para festinhas e que têm a cara do Rio. Assim como o sambista maneiro e simpático, Rogê, dos tempos atuais. Esse aí do lado.

É gente. É hexa. Hexa-campeão. Como um polígono de 6 lados. Com apenas 6% de probabilidade. Foi merecido. Foi bacana. É isso. Também faço parte de uma nação rubro-negra feliz e contente virando uma década. Simples assim! Saudações.

domingo, 15 de novembro de 2009

O Caminho das Montanhas - Uma idéia realmente genial

Na revistinha de domingo de O Globo, de 15.11.2009, li a matéria que faz parte da série de opiniões que tem saído todo final de semana sobre a visão de algumas pessoas a respeito de um Rio de Janeiro ideal e possível.

Dei de cara com a proposta de Breno Silveira sobre o uso de nada mais nada menos do que bondinhos fazendo a ligação do Rio por cima, por suas montanhas, sem transito, sem poluição, desfrutando do que a cidade tem de melhor e mais natural: sua beleza.

Detalhe: É muito mais barato do que expandir as linhas do metrô e continuar alimentando essas máfias das vans e linhas de ônibus no Rio. Sem mencionar que a situação das linhas de trens não são nem passíveis de comentários. Aquilo não é transporte, nem muito menos serviço, aquilo é um desserviço, uma humilhação, um atestado de incompetência pública e privada. Tendo em vista que o fator humano consumidor desse serviço é de baixa renda, os investimentos são quase nenhum. Lamentável. E sem tratar as pessoas com dignidade não há como educá-las para diferenciar o que é certo do errado. O vandalismo do direito de cidadão. Ganhamos a credibilidade de julgadores internacionais para sediar turistas, atletas e toda a sorte de gente para jogos mundiais. E temos que fazer o nosso dever de casa. É uma oportunidade imperdível!

O Globo tem trazido uma série de soluções idealizadas por gente que pensa numa cidade realmente melhor. Porque é um desperdicio que uma metrópole no meio de tanta beleza natural, seja tão problemática como o Rio.

Essa proposta de Breno Silveira, um cara que é cineasta, é na verdade um projeto de 1978, do arquiteto Cydno Moreira, se pai, que em parceria com outras cabeças, publicou um ensaio futurista, onde apresentava trens elétricos suspensos para circundar as encostas de 3 grandes maciços rochosos do Rio, interligando todos os bairros e regiões pelas montanhas. Como se fosse um bondinho, tal qual o do Pão de Açucar.

Detalhe a ser enfatizado novamente: sem poluição, sem trânsito, com uma vista deslumbrante e com um custo de construção muito menor do que o do metrô e das autovias. A única questão seriam os ventos, raios e trovoadas. Eu não sei o que poderia garantir a segurança de um transporte desses no meio de uma tempestade. Mas devem existir muitos especialistas para isso. Reunindo cabeças pensantes e bem intencionadas, se vai longe.

O que é impactante é a constatação de que nenhuma outra cidade no mundo tem a capacidade e o potencial geográfico para um projeto desta dimensão como a cidade do Rio.

A proposta é a de que um "trem aéreo" correria junto às encostas dos maciços da Tijuca, Pedra Branca e Jericinó em trajetos circulares, como anéis, e com linhas de conexão entre os maciços. Representaria a possibilidade real e lógica de alguém sair do Recreio e chegar em Botafogo em 20 ou 30 minutos. Ou do Jardim Botânico e chegar na Tijuca em 15 minutos. Passando pelo alto da cidade, suspenso pelos caminhos de suas montanhas. Muito melhor do que o cenários de "Os Jetsons".

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Madeimoselle Chanel

"Quem não gosta de estar consigo mesmo em geral está certo." Coco Chanel.

Abri minha caixinha de Pandora depois de muito tempo. Estava bem empoeirada... Nem sei muito bem porque, mas acho que foi o filme que vi: "Coco avant Chanel", de Anne Fontaine. Simplesmente amei. Fez eu me destravar um pouco.

Gabrielle Chanel era esquisita e curiosamente diferente como quase todo mundo gostaria de ser, mas não tem a coragem necessária para de fato o ser. Ser diferente dá trabalho. Faz sofrer mais do que apenas se juntar às massas e desaparecer no meio delas, guiado pelas regras que as conduzem. Não é querer aparecer. É simplesmente uma questão de atitude.

E são exatamente as nossas atitudes que contam a nossa história. Imagina se Coco Chanel tivesse se conformado com a realidade de sua condição social? Se nunca tivesse questionado o exagero, se não tivesse ousado e saído um dia de pretinho básico quebrando regras implícitas e, por isso mesmo, mais difíceis de serem questionadas?

Foi por ter percebido que a beleza vinha da liberdade, dos movimentos naturais, da espontaneidade, da leveza, das formas mais simples, que ela conseguiu ultrapassar todas as mais fortes probalidades de uma vida medíocre e difícil. E fez toda a diferença.

Assim como Yves Saint-Laurent em seu tempo, Madeimoselle Chanel provocou uma verdadeira revolução nos figurinos e na postura da mulher, libertando-a dos espartilhos, das amarras, das saias cheias de babados, permitindo um conforto com elegância. Ela queria dar às mulheres "a possibilidade de rir e comer, sem necessariamente desmaiar".

Dizia com muita propriedade: "Não há mulheres feias, há mulheres mal cuidadas".

Pesquisei e pesquisei, e como se sabe, de perto ninguém é normal, e Coco Chanel tinha dificuldade em admitir suas origens pobres. Mentia descaradamente sobre esse assunto. Só depois de sua morte, num domingo de 1971, no Hotel Ritz, onde viveu por anos, veio a se saber, publicamente, que teve uma infância triste, impregnada de uma espera dolorosa por um pai que nunca mais veio buscá-la no internato onde a deixou junto com suas 2 irmãs. Curioso é que Chanel não suportava ficar sem fazer nada. Gostava de trabalhar e lutou por sua independência financeira numa época em que trabalhar não era uma coisa muito louvável para mulheres. Por isso detestava os domingos. E morreu exatamente num. Dizia: "Só aos domingos eu não invento nada"

Nascida no interior da França, na cidade de Saumur, Gabrielle Bonheur Chanel ficou órfã de mãe aos 12 anos. Na realidade, o pai era um vendedor ambulante das feiras do Vale do Loire que teve um affair com sua mãe, Jeanne Devolle, então com 19 anos quando engravidou, sem que os dois fossem casados oficialmente. Tiveram 5 filhos. Um escândalo de gente sem um nome importante.

A mãe de Gabrielle Chanel morreu de tuberculose aos 32 anos. O pai levou as 3 filhas para um colégio interno de Aubazine, e nunca mais apareceu, como havia prometido às filhas, que acabaram educadas pelas freiras pouco amáveis da Ordem do Sagrado Coração de Jesus. Já os irmãos foram trabalhar numa quinta.

Aos 16 anos trabalhou como balconista e depois, por conta própria, em um cabaré, onde cantava a música ''Qui qu´a vu Coco dans le trocadero?''. Essa parte é mostrada no filme. A música, cantada por Audrey Tautou, que está perfeita, ficou uma graça. Chanel tentou a vida de corista, mas não deu muito certo devido à sua altura, ela era baixinha.

E foi no cabaré que conheceu Etienne Balsan, um milionário bon vivant, apaixonado por cavalos, herdeiro de uma família rica francesa, com quem passou a viver. Foi através do relacionamento com ele, que depois passou a grande amigo, que chegou a Paris, onde foi inserida na alta sociedade local. O Balsan do filme me deixou com a vontade de ter um amigo como ele.


Depois, com a ajuda do inglês Arthur Capel (que dizem, e é bem retratado no filme, ter sido o grande amor de Chanel, morto num acidente de carro, em 1919), montou sua 1ª loja, a Casa Chanel, em 1910.

No começo, vendia chapéus com um estilo mais simples, sem grandes adornos para as mulheres que frequentavam o Joquei Clube parisiense. Depois, começou também a vender roupas de praia e de montar a cavalo. Pioneira, inventou as primeiras calças femininas.

Em todos os eventos sociais onde ia, introduzida por seus amigos influentes ou artistas, ela intrigava as pessoas com seus looks mais simplistas e sua ousadia em misturar peças femininas e masculinas.
E sempre manteve uma profunda convicção e segurança quanto ao seu estilo próprio e exótico.

Tinha um humor instável bem caracteristico das personalidades ditas geniais. Era interessante, intensa e impulsiva. O filme pára exatamente aí. Nessa fase. Coco antes de Chanel. Até o seu primeiro desfile.

Life is always going on e em 1913 (ainda antes da I Guerra Mundial) abriu duas casas: uma em Deauville, outra em Paris. Em 1916, abriu uma loja de Alta Costura, em Biarritz, e em 1920, fixou-se de vez na Rue Cambon, onde a Maison Chanel existe até hoje.

Coco Chanel apenas desenhava as roupas que gostava de vestir. Criava esboços em cima dos tecidos, no corpo das modelos. Dizia que era a roupa que deveria se adequar ao corpo, e não o contrário.

Pretendia atingir o maior número de mulheres que pudesse, com suas roupas de cortes retos. E não se importava em ser copiada por outros estilistas, ela se satisfazia em ver as mulheres vestindo as suas criações. "A moda reivindica o direito individual de valorizar o efêmero", dizia.

Espertinha, ela penetrou o seleto mundo masculino dos negócios, foi independente, fundou um verdadeiro império de moda e imortalizou um estilo de se vestir.

Transgressora, preferiu não se casar, embora tenha vivido amores intensos com personalidades tão interessantes quanto ela. No filme, o playboy inglês, conhecido como Boy estava para se casar com a rica herdeira de um lorde inglês. Chanel manteve uma relação com ele assim mesmo, sem pudores. O que não significa sem nenhum sofrimento. Ela simplesmemte preferiu se manter independente diante das circunstâncias.

Viveu romances com os russos Igor Stranvinsky e o bailarino Nijinsky, que se tornaria um grande amigo, além do Duque de Westmisnter, outro grande amor. Foi ele que lhe apresentou Winston Churchill.

Durante a II Guerra Mundial, Chanel fechou sua Maison e foi viver no Ritz, onde também ficava a alta cúpula do comando alemão. Ali envolveu-se com um cartunista alemão e foi influenciada por suas idéias nazistas, segundo as quais não haveria maiores problemas na presença germânica na França.

Coco achou que poderia convencer Churchill a ouvir uma proposta de paz alemã. Por isso foi até Madri, na esperança de se encontrar com o primeiro-ministro na embaixada britânica.

Esse encontro nunca aconteceu. Mas o envolvimento com os alemães lhe rendeu horas de interrogatório e a suspeita de ter colaborado com os nazistas. E, consequentemente, uma antipatia por parte dos franceses, difícil de ser digerida. Dos tempos de guerra até 1953, as lojas Chanel permaneceram de portas fechadas, por decisão da própria Chanel.

Geralmente estilistas têm um profundo respeito pela relação que as pessoas estabelecem com o jeito de se vestirem – ainda que, de vez em quando, estilistas também tenham falhas de caráter e não sejam as pessoas mais perfeitas do mundo. Chanel foi, sem dúvida, uma espécide de Madonna, uma mulher à frente do seu tempo, controversa e empreendedora, sujeita à tempestades de cólera e comentários venenosos, quando se sentia ameaçada.

Mas fez uma verdadeira revolução no guarda-roupa feminino através de suas criações - peças antológicas que fazem parte dos guarda-roupas até hoje.

Foi ela que inventou o onipresente pretinho básico, os vestidos tipo tubinho, os casaquinhos de tricô, os sapatos bicolores, o uso de jaquetas, saias plissadas e tailleurs, o estilo navy com golas roules e listras azuis marinho, as bolsas com alça de corrente dourada, o uso de pérolas fake e da camélia como broche. As calças boca-de-sino vieram depois de uma visita à Veneza, onde Chanel as criou por serem mais práticas para subir e descer as gôndolas. Chic a valer...



Imortalizou o tradicional corte de cabelo reto e na altura do queixo: o "corte chanel". Dizem que foi porque seu cabelo pegou fogo e ela lançou essa moda. Assim como lançou o perfume "Chanel nº 5", um ícone que a tornou milionária. Foi o perfume mais vendido até hoje e teve ninguém menos do que Marilyn Monroe como garota propaganda.

Enfim, criou todo um jeito elegante de se vestir e agir, baseada na certeza de que mais era menos, presente em seu DNA. Ou seja, era elegante por natureza.

A produção do filme “Coco avant Chanel” contou com a assessoria de Karl Lagerfeld, que está à frente da Maison desde 1983. Ele resgatou a marca que caiu no ostracismo após a morte de Madeimoselle, em 1971, e se empenhou em torná-la uma das mais vendidas no mundo.

Criativo e fiel ao estilo de Chanel, Lagerfeld mantém o caminho traçado por ela, mas é engraçado perceber que raramente a marca Chanel é ligada ao conceito que lhe deu origem: a simplicidade.

Adorei quando Audrey Tautou interpretou a estilista sentadinha nas escadas, observando detalhadamente o seu desfile, exatamente como Madeimoselle Chanel fazia.
Uma fofoca: A atriz está ótima como Coco, mas parece que fez uns comentários negativos sobre a personalidade de Chanel. Embora seja a atual garota propaganda do Chanel nº5, Lagerfeld pinimbou com ela e a colocou literalmente na geladeira. Audrey Tautou não é convidada nem para os desfiles da grife...

E mais uma frase de Madeimoselle Chanel...

"Eu não entendo como uma mulher pode sair de casa sem se arrumar um pouco - mesmo que por delicadeza. Depois, nunca se sabe, talvez seja o dia em que ela tem um encontro com o destino. E é melhor estar tão bonita quanto for possível para o destino."

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Stand by me

Tentando retornar das minhas cavernas interiores... Tanto tempo sem escrever aqui...

Há um tempo ando como uma folha em branco. Blackout criativo. Ando muito mais imagem do que texto e na falta do que dizer, poetizei em imagens a letra de "Stand by me", do John Lennon. Não, não é por acaso. Eu gosto de fazer essas coisas. Mas é que é especialmente bom saber que alguém se importa de verdade com você. Que existe alguém com quem se pode contar nos momentos de enfrentamento daquelas verdades insuportáveis e que conhece o pior lado do seu ser e te aceita mesmo assim. The dark side. Em homenagem a todo querer bem, a todo o amor verdadeiramente existente e que nem sempre parece excitante e divertido, mas que stands by you.

Como diria Nelson Rodrigues: "Pouco amor, não é amor".

When the night has come


And the land is dark.


And the moon is the only light we see...


No, I won't be afraid!


Just as long as you stand, stand by me.

And darling, darling, stand by me!


Stand by me. Stand by me. Stand by me.


If the sky that we look upon


Should tumble and fall


And the mountains should crumble to the sea


I won't cry!


No, I won't shed a tear.


Just as long as you stand, stand by me.


And darling, darling, stand by me!


Stand by me, stand by me, stand by me.


Whenever you are in trouble won't you stand by me?


Stand by me!


Stand by me.


Stand by me .