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domingo, 14 de março de 2010

Reflexões cariocas sobre notinhas de domingo

"Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...
Cidade sangue quente
Maravilha mutante..."

Saiu numa notinha na coluna Gente Boa, do Globo, de 14.03.2010:

Steve Jobs foi convidado pela Secretaria de Patrimônio do Rio, a abrir a primeira loja oficial da Apple no Brasil, na região da zona portuária ou num prédio histórico do Centro do Rio.

Recusou e explicou os motivos: "Não podemos nem exportar os nossos produtos com a politica maluca de taxação superalta do Brasil. Isso faz com que seja muito pouco atraente investir no país. Muitas companhias high tech se sentem assim".

Está dado o recado, Mr Jobs. O Pais tem uma carga tributária surreal mesmo. A cidade do Rio também. Como de perto ninguém é normal, por dentro, o Rio é puro caos. Mas está tentando dar a volta por cima. Está gritando por investimentos. Tem muita coisa boa para acontecer. A cidade pulsa por idéias e projetos.

A cidade tem potencial, é natural, mas por causa de anos de má administração, conivente com os mais diversos tipos de máfias, compactuada com um poder paralelo, mantido por uma gente corrupta até o último fio de cabelo, o Rio - a cidade maravilha mutante - se tornou um pesadelo caótico em muitos aspectos.

As tentativas de revitalização do Centro são evidentes e escancaradas. E concordo que deveriam ser mesmo. É um desperdício que numa cidade com tão pouco espaço para crescer e que valoriza tão bem o seu metro quadrado com vista para o mar ou as montanhas, não aproveite o potencial do centro do Rio. Além de histórico, com prédios maravilhosos, está exatamente em frente à Baía de Guanabara, projetada e arquitetada desde os tempos do Império.


Estou para conferir o que foi feito do Albamar. Um restaurante tradicional com vista abençoada, numa instalação histórica linda de morrer, que estava às moscas.

Li que alguém podendo investir está ressuscitando o lugar. Que bom...

Um dos projetos que eu mais gostaria de ver se concretizar é o de revitalização da Zona Portuária. Imagina um escritóio da Apple ali. De frente para o Porto. Imagina os gadgets da Apple muito mais mais baratos por aqui... É tão utópico assim?

Imagine se esssa região do Pier Mauá ressurgisse cult, misturando escritórios, restaurantes, bares, exposições, museus, galerias, um aquário gigante, a Ilha Fiscal, a Ilha das Cobras, uma Escola de Gastronomia, tudo junto, próximo, interligado! Caramba!

Gosto dessa solução de esconder o viaduto da perimetral. Concordo com os que afirmam ser de uma feiúra urbanística desnecessária, polui mesmo a visão, mas destrui-lo é jogar dinheiro fora e promover ainda mais caos no trânsito.



Olha aí o projeto de aquário do Pier Mauá.

As obras da escola italiana de design nas instalações do Cassino da Urca.




E se o metrô funcionasse eficientemente, levando transporte coletivo e de qualidade por todos os seus subterrâneos, educando os seus passageiros para o uso consciente e civilizado do transporte que oferece. Ao ponto de fazê-los perceber que não podem ficar parados na porta, bloqueando a entrada dos vagões. Este detalhe é muito importante. É como a evolução da espécie carioca. É pedir muito? É sonhar tanto assim? É tão difícil assim se tocar que dois corpos não ocupam o mesmo espaço?

E um Maracanã com estrutura de estádio de primeiro mundo. Por dentro e por fora. Com solução de estacionamento segura e confortável.



O Hotel das Paineiras, o Hotel Gloria e o Nacional revitalizados.



Todos os hoteis conceituais que já existem e os que serão criados. Esse aí é o Hotel de Santa Tereza, também conhecido como Hotel dos Descasados. Aí já foi uma pensão que abrigava recém separados por um tempo, até que a vida desses descasados se estruturasse novamente ou pelo tempo que tivesse que ser. Hoje é esse hotel lindinho aí.





Tomara que os muitos hotéis esperados para o Rio até à Copa e as Olimpiadas de 2016 criem realmente oportunidades de emprego e uma melhora geral no setor de serviços, que são ruins de dar pena, e muitas vezes, de dar raiva mesmo.

Eu queria um Teatro Municipal com temporadas e espetáculos mais acessíveis, livre dos cambistas, como todos os teatros de ópera do mundo. Acho aquela praça da Cinelândia onde ele fica uma coisa linda, com os prédios da biblioteca nacional, do museu de belas artes, da câmara municipal, do antigo tribunal de justiça, o cine Odeon...




E se os bairros da Lapa e de Santa Teresa com seus cabarés, antiquários, casas de samba, diversidade e intenso intercâmbio cultural, pulsassem numa vibração menos caótica?Pelo menos sem cheiro o de xixi nas calçadas e tantos isopores de cerveja nas calçadas? Eu li, em algum lugar, que os Arcos começaram a ser restaurados. Já não era sem tempo.












Eu queria um Rio com mais garagens subterrâneas e menos flanelinhas extorquindo dinheiro por um pedaço de meio-fio que não lhes pertence. Um Rio que soubesse fazer o rodízio civilizado dos veículos que circulam pela cidade. Sonho muito grande, né? E ainda maior se imaginado sem o monte de emaranhado de fios que alinhavam a rede de elétrica. É muito feio.
Eu torço pela revitalização da cidade em todos os sentidos, apostando que a qualidade de vida tem que chegar para todos, independente de onde elas morem. Só assim é possível corrigir o erro histórico de abandono e segregação de parte da população carioca, formada em sua maioria por descendentes de um passado escravo, amontoados em favelas onde explode a violência, onde o acesso à educação é pouco e vivendo num grande faroeste caboclo.

O Rio é muito maior do que a estreita faixa da Zona Sul. A paisagem linda antagoniza com despudores urbanos. Cidade Maravilha não combina com tanta gente abandonada, sobrevivendo sob elevados e calçadas, esfregando suas misérias na cara de uma gente como eu, que não encontra solução para as suas desgraças.

Eu adoraria acreditar que pode ser diferente. Que o projeto das UPP's, por exemplo, pode realmente dar certo nas favelas, de maneira sustentável e possível. Ipanema tem mostrado que sim, é possível. Pode dar certo. Tomara que sim.

Por outro lado, alimentando o tradicional preconceito carioca entre suburbanos e moradores da Zona Sul, a parte nobre da cidade, o que se viu no Carnaval, foi uma Ipanema invadida por uma gente muito mal educada, feia pela atitude, pela interação daninha com o espaço e todos ao redor. Não, meu discurso não pretende ser fascista e preconceituoso. Não é essa a intenção. Logo me explico.

Tenho conceitos, sim, e aceito numa boa que me provem o contrário deles, sem problemas. Humildemente, admito que sou uma especialista em nada, mas mesmo assim, tenho uma opinião formada sobre quase tudo. Parodiando Raul Seixas ainda mais: eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...

Voltando aos conceitos, os meus são baseados no que me agrada, no que vejo e sinto, nas situações e sensações que experimentei e nos fatos que testemunhei, na forma como fui criada. Acho que até aí não é demagogia alguma dizer que todos nós temos conceitos formados, muitos deles condicionados aos nossos valores. Mas PREconceitos eu não tenho, não.

Não justifico a antipatia por alguém baseada apenas na diferença da cor de pele, raça, credo, estado civil, opção sexual, profissão, nome, origem, beleza, posição social, formação, experiência, conta bancária... Não costumo fazer nada isso. Aprecio o caleidoscópio humano diversificado. E se alguma vez na vida prejulguei algo ou alguém, peço perdão, sou apenas demasiadamente humana.

Mas me dou todo o direito de não gostar de indivíduos com quaisquer das caracteristicas acima, não porque elas justifiquem a antipatia, mas porque tenho o direito de julgar qualquer coisa ou pessoa de acordo com os meus conceitos. Desde que, obviamente, esses mesmos conceitos não agridam as convicções e os conceitos dos meus semelhantes. Não sou fascista. Não pretendo nunca ser ditadora. Não costumo agir como uma sociopata.

Admito que eu tenho uma certa predisposição a desconfiar de evangélicos. Tento não demonstrar, mas tenho essa má vontade. Mas tento não fazer julgamentos por causa de uma crença que não me diz respeito e não deveria me incomodar. Mas confesso que me incomoda um pouco, sim. Tenho uma certa implicância com religiosos em geral, principalmente evagélicos. Acabo rotulando e generalizando o que não conheço e não me disponho a conhecer, como exploração da boa-fé alheia e disseminação da ignorância coletiva. É como se eles representassem a unanimidade burra e pasteurizada, pregada por pastores exploradores e tão mal formados culturalmente quanto os cordeiros dos seus rebanhos. É radicalismo da minha parte, mas estou me confessando.

Agora reconheço que numa sociedade que trata os seus excluídos de maneira tão injusta, as igrejas e religiões, sejam elas quais forem, dão referências a quem não as tem, e oferecem algum aconchego no meio de tanto abandono e descaso, fomentados por segregação, intolerância e violência.

Ufa! Pronto, falei. Esse post acabou em tom de protesto, diferente de tudo o que já escrevi aqui. Saiu espontaneamente. Não me reprimi. Não tenho autoridade para falar sobre tudo o que comentei aqui. Mas tenho a minha opinião. E o blog é meu... Aqui escrevo sobre o que eu quero.


"O Rio é uma cidade
De cidades misturadas
O Rio é uma cidade
De cidades camufladas
Com governos misturados
Camuflados, paralelos
Sorrateiros
Ocultando comand
os..."
Fernanda Abreu

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Na Pele de Sócrates (Woody Allen)

"De todos os homens famosos deste mundo, o que eu mais gostaria de ter sido era Sócrates – o filósofo, claro. Não apenas porque ele foi um grande pensador, porque afinal eu também sou capaz de observações profundas, embora as minhas se concentrem basicamente em bundas de aeromoças e preços de geladeiras.



Devo confessar que não sou assim tão corajoso a respeito de morrer ou de manter a força de vontade, considerando-se que, quando ouço um escapamento de carro, salto direto no braço da pessoa mais próxima.

Mas reconheço que a brava morte de Sócrates deu um sentido de autenticidade à sua vida, exatamente o que anda faltando á minha, exceto para o Imposto de Renda. Confesso que, muitas vezes, já tentei calçar as sandálias do grande filósofo, mas não importa o que faça, acabo cochilando e tendo o seguinte sonho:


O que me fascina no mais sábio de todos os gregos é a sua incrível coragem diante da morte. Preferia dar sua vida para mostrar que tinha razão do que abandonar seus princípios, já viram coisa igual?

(A cena se passa em minha cela de prisão. Geralmente, fico na solitária, imerso no seguinte problema: Pode um objeto ser considerado uma obra de arte se também pode ser usado para limpar o fogão? Mas, no sonho, sou visitado por Ágaton e Símias).

Ágaton – Ah, meu velho e sábio amigo! Como vão os seus dias de confinamento?

Woody – Que história é essa de confinamento, Ágaton? Meu corpo pode estar circunscrito a certos limites, mas minha mente vagueia livremente pelo espaço.

Ágaton – Tudo bem, mas e se você quiser dar uma voltinha?

Woody – Boa pergunta. Não posso.

Ágaton – Não sei se estou sendo inconveniente, mas tenho más notícias: você foi condenado à morte.

Woody – Tudo bem, chato foi ter provocado tanta polêmica no Senado.

Ágaton – Polêmica nenhuma, a decisão foi unânime.

Woody – Pensei que estivesse dando mais Ibope.

Símias – O Senado está puto com você por causa daquelas idéias a respeito de um Estado utópico.

Woody – Talvez eu nunca devesse ter sugerido que a gente precisava de um rei-filósofo.

Símias – Principalmente apontando para você mesmo e pigarreando o tempo todo.

Woody - Engraçado, não consigo guardar ódio dos meus executores.

Ágaton – Nem eu.

Woody (Pigarro) – Bem... Ah-ham... Pensando bem, o que é o mal senão o excesso de bem?

Ágaton – Cumé quié?

Woody – Olhe por esse ângulo. Se um homem canta uma bela música, trata-se de uma obra de arte. Mas, se continua cantando por mais 3 horas, trata-se de um pé no saco.

Ágaton – Isso aí...

Woody – Quando serei executado?

Ágaton – Que horas são?

Woody – Hoje???

Ágaton – Parece que sim. Querem que você desocupe a cela o mais depressa possível.

Woody – Está bem! Deixem que me tirem a vida! Saibam que prefiro morrer do que abandonar meus princípios de justiça e de direito para todos. Não chore, Ágaton.

Ágaton – Não estou chorando. Foram umas cebolas que eu descasquei para a patroa.

Woody – Para o homem de intelecto, a morte não é um fim, mas um começo.

Símias – Como disse?

Woody – Deixe-me pensar um pouco.

Símias – O tempo que quiser.

Woody – É verdade, não é, Símias, que o homem não existe antes de nascer?

Símias – Absolutamente verdadeiro.

Woody – Assim como deixa de existir depois que morre, não?

Símias – Isso mesmo.

Woody – Humm...

Símias – E daí?

Woody – Daí que estou um pouco confuso. Você sabe que só me servem carneiro nessa cadeia e muito mal temperado.

Símias – Os homens identificam a morte com o fim, por isso, a temem.

Woody – A morte é um estado de não-ser. O que não é, não existe. Só a verdade existe. Mas, o que é a verdade senão a confirmação de si mesma? Mas, se a morte pode ser confirmada por si mesma, a morte é a verdade. logo existe! Estou frito! Ei, o que eles estão planejando fazer comigo?

Ágaton – Fazê-lo tomar cicuta. Lembra daquele líquido escuro que atravessou a sua mesa de mármore?

Woody – Aquilo?

Ágaton – Basta uma colher. Mas eles terão um frasco inteiro à mão, caso você derrame um pouco.

Woody – Será que vai doer?

Ágaton – Vão lhe pedir que não faça uma cena. Para não perturbar os outros prisioneiros.

Woody – Claro, claro.

Ágaton – Eu disse a eles que você morreria bravamente, para não renunciar aos seus princípios.

Woody – Sem dúvida. Escute, ninguém mencionou a palavra “exílio”?

Ágaton – Desde o ano passado decidiram não exilar mais ninguém. Muita burocracia.

Woody – Olhe, vou ser franco com você: não quero ser executado! Sou muito jovem para morrer!

Ágaton – Mas essa é sua chance de morrer pela verdade!

Woody – Você não entendeu, Ágaton. Sou um apólogo da verdade. Mas é que fui convidado para um almoço em Esparta, semana que vem, e detestaria faltar. É minha vez de levar os drinques. Você sabe como são esses Espartanos. Vivem a fim de brigar.

Ágaton – Será nosso mais sábio filósofo um covarde?

Woody – De jeito nenhum. Mas também não sou herói. Marquem a coluna do meio, sei lá!

Ágaton – Mas não foi você que provou que a morte não existe?

Woody – Olhem, andei provando muitas coisas na vida. Como acham que consigo pagar o aluguel? Umas teorias aqui, outras observações ali, uma frase brilhante de vez em quando, e, às vezes, alguns ditados e máximas. Paga melhor do que colher azeitonas. Mas não vamos exagerar!

Ágaton – Mas você provou tantas vezes que a alma é imortal!

Woody – E é! Pelo menos no papel. Esse é o problema da filosofia: já não funciona tão bem depois da aula, ou seja, na vida real.

Símias – E as formas eternas? Você disse que tudo sempre existiu e sempre existirá!

Woody – Estava me referindo a objetos pesados como estátuas. Com gente é diferente!

Ágaton – E aquele lerolero dizendo que morrer era o mesmo que dormir?

Woody – Eu sei, mas o problema é que, se você está morto e alguém grita “Hora de acordar!”, é difícil encontrar as sandálias embaixo do catre.

(Entra o carrasco com uma taça de cicuta)

Carrasco – Uh-hu! Adivinhem quem chegou? Quem vai tomar a cicuta?

Ágaton (Apontando para mim) – Ele.

Woody – Puxa, é uma dose dupla! Olha, ando com o fígado meio bombardeado...

Carrasco – Beba tudo. O veneno cistuma ficar no finzinho.

(Aqui dizem que meu comportamento costuma ser diferente do de Sócrates e dizem que grito durante o sonho): Não! Por favor! Não quero! Socorro! Mamãe!

(O carrasco me passa uma taça fervilhante, apesar de minhas súplicas, e tudo parece chegar ao fim. Então, talvez devido a um inato instinto de sobrevivência, o sonho muda completamente e entra um mensageiro).

Mensageiro – Parem! Houve uma apelação e o Senado votou de novo. As acusações foram levantadas. Você foi declarado inocente e será publicamente reabilitado!

Woody – Finalmente! Conheceram, papudos? Eles recuperaram o bom senso! Sou um homem livre! E ainda serei reabilitado! Preciso falar com Pitágoras antes que ele resolva aquele absurdo teorema! Mas antes, descreverei para vocês uma pequena parábola.

Símias – Pô, isso é que é um final inesperado. Será que o Senado sabe o que está fazendo?

Woody – A parábola é a seguinte. Um grupo de homes vive numa caverna escura. Nunca viram o sol. A única luz que conhecem é a das velas que usam para iluminar a caverna.

Ágaton – E onde arranjam as velas?

Woody – Bem, já estavam lá e não me amolem.

Ágaton – Vivem numa caverna e têm até velas? Muito estranho...

Woody – Quer ouvir a parábola ou não?

Ágaton – OK, OK, mas anda logo. Está demorando muito.

Woody – Então, certo dia, um dos habitantes da caverna dá um pulinho lá fora e vê o mundo

Ágaton – Sei... E quando volta para contar aos outros, ninguém acredita.

Woody – Não exatamente. Ele não conta aos outros.

Ágaton – Não???

Woody – Não. Em vez disso, abre um açougue, casa-se com uma rumbeira e morre de trombose aos 42 anos.

(Eles me agarram e forçam a cicuta pela minha goela abaixo. Nesse momento, costumo acordar, sobressaltado e só um copo de iogurte consegue me acalmar)".


Texto do Woody Allen para amenizar o excesso de filosofia do post anterior. Acho até que eu vou rever um filminho dele hoje...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Feio que é Belo

Existem feios que são belos. Possuem um encanto que não se traduz. Geralmente é a personalidade que os faz belos aos olhos de quem vê. Paulo Miklos, dos Titãs, é o meu feio belo.

Tá, bonitinho é o Belotto. Inteligente também. Com personalidade idem. Mas tem alguma coisa que o Miklos tem que o Belotto não tem.

Eu gosto do gestual do cara. Do body language dele. Do olhar levemente sarcástico e interrogativo.

"Pra dizer adeus", do show Acústico de 1997, é um momento musical que eu gosto de vê-lo interpretar. Além de ouvir, é claro. Valeu, Miklos. É cedo ou tarde demais. Mas isso não importa agora. A letra é simplezinha e pop pop. Mas eu gostcho.

Olha ele aí no desfile de inverno 2010 da grife Cavalera, na SPFW. Tudo a ver...

Também gosto muito da performance do sujeito no filme "O Invasor". Sou suspeita para falar, reconheço, mas ele realmente deu um show no papel do matador de aluguel que vai invadindo a vida dos contratantes dos seus serviços profissionais. Não fui só eu que achou, não. Por causa do Anisio - o matador - Miklos ganhou o prêmio de ator revelação no 31º Festival de Cinema de Brasília, e nos festivais de Sundance(USA), Miami (USA), Berlim (Alemanha) e Recife. É isso então.

"Você apareceu do nada
E você mexeu demais comigo
Não quero ser só mais um amigo
Você nunca me viu sozinho
E você nunca me ouviu chorar
Não dá pra imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Pra dizer adeus, pra dizer jamais

Às vezes fico assim pensando
Essa distância é tão ruim
Por que você não vem pra mim?
Eu já fiquei tão mal sozinho
Eu já tentei, eu quis chamar
Não dá pra imaginar quando
É cedo ou tarde demais
Pra dizer adeus, pra dizer jamais"

domingo, 6 de dezembro de 2009

Hexa Campeão - Contrariando as Possiblilidades

"O acaso é o encontro de duas possibilidades improváveis"
Já dizia João Moreira Salles...

Aquilo que parecia improvável, aconteceu. O gostinho do improvável concretizado tornou tudo melhor. O Flamengo ganhou o campeonato brasileiro depois de 17 anos. E eu que comecei a gostar disso agora, credito à mim e à minha sorte de principiante, a virada rubro-negra. É, eu sei que é muita pretensão, mas eu estou emocionada, não consegui ir ao jogo e gosto de pensar assim.

E olha que o time carioca jogou com sofreguidão. Uuuhhh!!! O Grêmio não entregou o jogo como se dizia por aí... O Flamengo jogou esquisito, travado. O 1º tempo foi uma tortura.

O título funciona como mais uma injeção de ânimo, uma overdose de orgulho na auto-estima carioca tão acarinhada esse ano. Todos os times do Rio se deram bem. Todos os moradores do Rio que têm um time para declarar estão comemorando. Desde os onipresentes rubro-negros, compondo a maior torcida do mundo, aos alvi-negros, tricolores... Uma explosão de energia na cidade sangue-quente, maravilha, mutante. Rio 40º.

O Rio... O Rio vai sediar a Copa de 2014, os jogos Olimpicos de 2016, vai inaugurar um Cafe del Mar nesse verão de 2010, em plena Avenida Atlantica. Juro que eu li sobre isso. O Rio tá que tá. O DJ do Cafe del Mar já imaginou um Rio mais Ibiza.


O Rio pode ser realmente maravilhoso. O Rio precisa ficar mais limpo, se educar, atender com mais esmero os seus habitantes e visitantes, se comportar com mais integridade, precisa cuidar melhor das suas praias, do seu lixo, de suas casas, sua paisagem e de tudo o que pulsa pela cidade. O morador do Rio, seja ele da gema ou não, precisa aprender a exercer com inteligência a sua cidadania, a exigir a melhora dos serviços que paga e mantém, precisa usar a mesma força da torcida rubro-negra que a representa- essa que ocupou cada espacinho do estádio do Maracanã.


Aliás, superlativamente pensando, com muita gente na cabeça, vi uma dica ótima de presente de Natal, na Blue Man.

Uma lixeirinha de plástico colorido em forma de cone. Uma graça mesmo. BBB. Bom, bonito e barato. R$ 5,00. E super prático. É o desejo de um verão melhor a quem se presenteia, seja pelas praias do Rio ou em qualquer outra. Na verdade, em qualquer situação. É o desejo de que o presenteado cuide do seu lixo sem nenhum incômodo.

Voltando ao jogo, esse, em específico, contava com uma uma massa de gente que sofreu para conseguir um ingresso para esse final de campeonato. Foi muito emocionante. Tudo conspirou a favor. Até o sol voltou, mas com menos força que nos últimos escaldantes finais de semana. Ôôôôô! Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe ô!!!! Caramba, tô muito feliz. Esse negócio é muito legal!!!

A menina aí de baixo é a personalíssima Asia Argento, atriz e DJ italiana que eu admiro. Mocinha de atitudes polêmicas e vestidinha de vermelho e preto. Entrou no post.

Amanhã o Rio vai acordar mais orgulhoso, mais vermelho e preto, mais bem humorado!

"Praia e sol,
Maracanã, futebol
Domingo, que lindo!

Domingo
eu vou ver meu time jogar
Tomara que ele saiba ganhar
Se souber vai ser muito bonito,
ver de alegria o povo sorrindo.
Que maravilha essa vida maneira,
tem gente aí que ainda não viu
como é gostoso esse sol quando brilha
Iluminando esse imenso Brasil!

O Rio sempre está lindo
com meu amor eu vou indo.
A brisa fresca batendo no lindo corpo moreno,
brincar ao sol no mar,
depois sambar, sambar,
sambar, sambar, sambar
brincar ao sol no mar
"

Essa música é do Bebeto. É. Eu disse Bebeto. Um cantor tipicamente carioca que gravou também outras musiquinhas ótimas para festinhas e que têm a cara do Rio. Assim como o sambista maneiro e simpático, Rogê, dos tempos atuais. Esse aí do lado.

É gente. É hexa. Hexa-campeão. Como um polígono de 6 lados. Com apenas 6% de probabilidade. Foi merecido. Foi bacana. É isso. Também faço parte de uma nação rubro-negra feliz e contente virando uma década. Simples assim! Saudações.

domingo, 28 de junho de 2009

V de Vitória

A seleção do Brasil conquistou a Taça das Confederações de futebol na final contra o azarão dos Estados Unidos, por 3 x 2. Depois de ter amargado um 2 x 0 no 1º tempo, fez uma reviravolta no 2ºe nem parecia o mesmo time perdidão do começo. Eu hein...

"O meio campo é lugar dos craques
Que vão levando o time todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol!" Skank

Com esta vitória, o Brasil somou a terceira Taça das Confederações da história, e a segunda consecutiva, depois das vitórias de 1997 e 2005. Uh hu!

Agora, precisava fazer a gente sofrer tanto? Precisava ter sido tão ruim no 1º tempo? É sempre um explode coração.

"Bola de meia, bola de gude
O solitário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
"

domingo, 14 de junho de 2009

Crônicas do Cotidiano: O Primeiro Terno de um Homem

"Um dia eu vou estar à toa e você vai estar na mira..." Marisa Monte

O primeiro terno foi azul marinho. Camisa lilás. Gravata roxa. Combinação ousada. Elegante. Ele estava orgulhoso. Dava para notar. A mãe e a mulher juntas, aprovando e admirando. O terno ficou perfeito. O sapato novo também. Estava tudo em harmonia. Very cool. Ele não tinha barriga. Perfeito.

Eu sei que vivemos num país tropical e que terno, gravata e colarinho apertado num verão de 40º, é insano, é de matar o sujeito, mas é que eu realmente acho que os homens ficam bonitos de terno. Pronto, falei. Mas também não pode estar suando em bicas porque quebra a fantasia.

Para acompanhar o fetiche:

"Please allow me to introduce myself
Im a man of wealth and taste.
I've been around for a long, long year
Stole many a man's soul and faith
"
Sympathy for the Devil - Rolling Stones

OBS: Eu também acho muito cool homens de chapéu.

domingo, 24 de maio de 2009

O Mundo dos Mangás e a Adolescencia

O mangá é um gênero da literatura japonesa caracterizado por quadrinhos. O mangá moderno, como é conhecido hoje em dia, foi concebido por um cara chamado Osamu Tesuka que, por sua vez, foi influenciado por artistas ocidentais como Walt Disney e Max Fleischer (o criador da Betty Boop, minha pin-up favorita).

Esses desenhos, em geral, destacam olhos, bocas, sobrancelhas e narizes de maneira bastante exagerada, infantili, aumentado a expressividade dos personagens. Foi esse cara quem introduziu os movimentos nas HQ's através de efeitos gráficos, como linhas que dão a impressão de velocidade, destacando todas as ações que descrevem movimento. A partir daí as histórias dos mangás ficaram mais longas e começaram a ser divididas em capítulos.

Esse tal de Osamu Tezuka tinha até um estúdio próprio e produziu a primeira série de animação (animê) para a TV japonesa: o Astro Boy. Isso em 1963. A partir daí o mangá passou do papel para a televisão e ganhou esse aspecto comercial que lhe é tão característico.

Conheci esse mundo através do meu filho. A geração dele é bem influenciada por esses desenhos japoneses. Na minha época já passava uns enlatados japoneses bem trash como o Ultramen e o Spectramen. Mas hoje, cada série de TV é destinada à uma faixa etária. Não há como escapar. Esses desenhos determinam toda uma forma de consumo que vêm a reboque de um lançamento.

Boa parte das crianças da geração video-game, sejam elas do ocidente ou do oriente, ficaram viciadas nessas séries japinhas que passam na TV: é Pokemon, é Digimon, Yugi-Oh, Naruto, Death Note, Love Hina, One Pice e muitos outros, alimentando todo um consumismo desenfreado no público infantil e teen. Esses desenhos movem uma indústria midiatica que vende de tudo mesmo. É figurinha, é mochila, é camiseta. São milhões de bonecos, joguinhos, cartinhas... E viram temas de festas infantis. É apelativo. Transformam-se em objetos do desejo e movimentam royalties robustos... Quem já teve muitas festinhas infantis para comparecer, sabe que elas têm, todas, a mesma cara, o mesmo formato. O que muda é o tema. Assim, fica parecendo que uma festa é diferente da outra, mas na verdade, elas são absolutamente iguais.

Atualmente, a onda do meu adolescente são os mangás erotizados com conteúdo bem teen. Tudo é libidinoso de um jeito muito adolescente, sob medida para hormônios acelerados. Incrivelmente, já houve um pedido de viagem lá em casa para Tokyo, ao invés da Disney. Numa total inversão do sonho de consumo adolescente.


A paixão agora é por uma série chamada To Love Ru. Uma historinha sem pé nem cabeça, da qual ele é fiel devoto. Foi tema da festinha de 12 anos que eu produzi para ele. Desenhos do artista lá de casa. Conta a história de Rito, um garoto de 16 anos, filho de um executivo workaholic e de uma estilista que está sempre viajando a trabalho. Um aluno normal, que gosta de futebol e que tem uma queda por uma menina do seu colégio chamada Haruna. Como vários garotos nessa idade, ele tem dificuldade de conversar com garotas e não consegue declarar o seu interesse por ela.

É aí que acontece uma coisa bem surreal. Surge uma menina nua na sua banheira, chamada Lala Deviluke. Ela é na verdade uma princesa extraterrestre fugitiva que acaba se apaixonando por ele, ficando a melhor amiga da menina que ele gosta - a tal da Haruna - e que prefere ficar na Terra morando com o garoto e sua irmã, já que os pais dos dois estão sempre ausentes mesmo. É, tem um recadinho para os pais nessa historinha. E um conflito triangular na historinha.

Os adolescentes sempre foram o público-alvo do gênero dos mangás, mas eles se diversificaram tanto que acabaram virando um fenômeno cultural e comercial no Japão. Em parte por alcançarem todas as gerações e classes sociais, mas principalmente por serem baratos e acessíveis. Nos anos 60, apareceram os primeiros mangás adultos. Tinham assuntos mais profundos e roteiros mais complexos. E a partir daí surgiram também os mangás eróticos.

Os mangás falam de assuntos triviais como a vida escolar, o trabalho, os esportes, o amor, a guerra, o medo, a economia, a história do Japão... Assim, foram diversificando-se segundo o gosto de cada público e sendo aceitos culturalmente até tornarem-se esse fenômeno de hoje. A leitura única e exclusiva desse gênero, seria bastante questionável, como quase tudo o que é excessivo. Mas não se pode ignorar que eles realmente representam um novo fenômeno cultural. Eu faço a minha parte. Tento estimular e respeitar as mais variadas formas de expressão. E tento entender as novas que me são apresentadas. Sei que vou julgar mesmo. É inerente a mim e ao ser humano. Mas o fato de desconhecer algo, não me impede de enxergá-lo, processá-lo e ter a boa vontade de querer conhecê-lo. Os mangás são uma ponte para o universo particular do meu adolescente.

Uma curiosidade: A ordem de leitura de uma revistinha de mangá é inversa a ordem da ocidental, ou seja, a leitura das páginas é feita da direita para a esquerda. É a maior birutice para os padrões ocidentais. O conteúdo é em preto-e-branco, e, às vezes, têm algumas páginas coloridas, em papel reciclado, o que os tornam baratos e acessíveis. A edição de mangás representa hoje mais de 1/3 da tiragem e mais de 1/4 dos rendimentos do mercado editorial do Japão. Daí se entende o estímulo ao consumo de tudo o que produzem.