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sábado, 13 de março de 2010

Cama e mesa para o Rei

Está rolando na Oca, do Ibirapuera, em São Paulo, a exposição Roberto Carlos - 50 Anos de Música.

Eu cresci ouvindo Roberto Carlos entre outras vozes que frequentavam a vitrola lá de casa, os gostos eram variados e ecléticos. Gosto do Rei. Confesso que já curti algumas dores-de-cotovelo ouvindo o Roberto. Aaaahhh, o importante é que emoções eu vivi...

Faço misturas com músicas dos tempos da Jovem Guarda do RC em compilações para festinhas, e sempre dá certo. É de uma breguice apaixonada, sim. Mas e daí? A gente é meio brega quando ama. Não colo posters do Rei na parede, mas reconheço a sua majestade. E por isso fiz uma homenagem com imagens para a música "Cama e Mesa", que eu acho uma graça.

Eu quero ser sua canção.

Eu quero ser seu tom.

Esfregar a sua boca.

Ser o seu batom.

O sabonete que te alisa embaixo do chuveiro.

A toalha que desliza no seu corpo inteiro.

Eu quero ser seu travesseiro e ter a noite inteira,
Pra te beijar durante o tempo em que você dormir.

Eu quero ser o sol que entra no seu quarto a dentro.

Te acordar devagarinho.

Te fazer sorrir.

Eu quero estar na maciez do toque dos seus dedos,

E entrar na intimidade desses teus segredos,

Quero ser a coisa boa.

Liberada.

Ou proibida.

Tudo em sua vida.

Eu quero que você me dê o que você quiser,

Quero te dar tudo que um homem dá para uma mulher,

E além de todo esse carinho que você me dá,

Fico imaginando coisas...

Quero sempre mais.

Você é o doce que eu mais gosto.


O meu café completo.


A bebida preferida.

O prato predileto.


Eu como e bebo do melhor,


E não tenho hora certa.


De manhã.


De tarde.


À noite.


Não faço dieta.


Esse amor que alimenta a minha fantasia.


É meu sonho.


É minha festa.


É minha alegria.

A comida mais gostosa.

O perfume.

A bebida.

Tudo em sua vida.


Todo homem que sabe o que quer,


Sabe dar e querer da mulher.


O melhor é fazer desse amor,


O que come.

O que bebe.

O que dá.

E recebe.

Mas o homem que sabe o que quer,

E se apaixona por uma mulher,


Ele faz desse amor sua vida.

A comida.

A bebida.

Na justa medida.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

The Thomas Crown Affair

-Quero que me fale sobre as mulheres...
Silêncio.
Distração.

- Mr. Crown?
- Desculpe...
- Mulheres... ainda não falamos das mulheres...
- Sinto prazer em estar com as mulheres.
- Sentir prazer não é amar.
- Amar nem sempre traz prazer.
- Como você saberia?
Pausa.

- Nunca lhe ocorreu que o seu problema é confiar?
- Confio em mim implicitamente. (Um sorririsinho sarcástico).
- Sim, mas e as pessoas? Elas podem confiar em você?
- A sociedade em geral? (Questiona Thomas Crown).
- As mulheres, Mr. Crown... (A terapeuta fala bem devagar)
Pausa.

- Sim, uma mulher poderia confiar em mim.
- Ótimo! E quais seriam as suas condições extraordinárias para isso?
- Uma mulher pode confiar em mim desde que seus interesses não sejam tão contrários aos meus.
- E quanto à sociedade? E se os interesses dela forem contrários aos seus?

Silêncio. Um sorriso e um olhar.

Terapeuta e paciente num diálogo interessante, com linguagem corporal reveladora. É assim que começa o filme "The Thomas Crown Affair", um dos meus top ten. O filme é um remake do original de 1968 com Faye Dunaway e Steve McQueen.


Thomas Crown é um bilionário bon vivant, considerado um gênio do mercado financeiro, acostumado a ter tudo o que quer e que gosta de correr riscos quando se sente entediado. O próprio King of Cool.


Por um pouco de adrenalina, ele resolve roubar um Monet, avaliado em 100 milhões de dólares, do Metropolitan, de NY.

O plano tem umas sutilezas engraçadinhas: faz uma referencia historica bem humorada com a invasão do museu num Cavalo de Tróia.





Tudo no filme é um jogo.
O personagem gosta de jogar.







O Monet em questão é este aí, com o título de "Veneza"


Aí o filme ganha um contorno instigante porque mexe com conquista, desafio e romance. A polícia de NY e a perita da seguradora da obra roubada investigam o caso, só que a perita em questão, interpretada pela Renee Russo, é muito mais esperta do que a polícia e passa a desafiar a inteligência do mentor do crime. Um combustível e tanto para a libido de quem não costuma encontrar desafios à altura.

Thomas Crown é cínico, envolvente e interessante como Pierce Brosnan sabe fazer muito bem.

Miss Catherine Banning é inteligente, espontânea e ousada.

Eles passam a ter um relacionamento nada sem graça, com possibilidades variadas, proporcionadas pelo mundo de Crown. Um afrodisáiaco facilitador e tanto.

A curiosidade de um pelo outro, motivada pelo jogo da perseguição instalado, faz rolar uma química legal entre os dois.









Gosto quando rola um clima entre eles, porque há sensualidade sem o comprometimento da naturalidade. Um faz o outro rir e por isso mesmo a química entre eles parece ser mais legal. Algo que eu acredito ser verdadeiro.




Miss Banning tem uma personalidade muito interessante, é intensa e tem senso de humor, não faz só caras e bocas. Acho a personagem o máximo.




Para provar que pode o que quer e quer ficar com a moça, Crown devolve a tela ao mesmo lugar e rouba outro Monet, através de um plano cuja ironia consiste no uso de um disfarce idêntico ao da tela "O Filho do Homem", de Rene Magritte, reconhecido por ele mesmo como sendo o seu alter ego.

A trilha sonora é das melhores. Adoro Nina Simone cantando "Sinnerman". Tenho revisto filmes antigos. Uma coisa de fases. Falta de vontade de sair. Deve ser a nostalgia.