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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Uma jóia nos pés

"You put high heels on and you change..."
Manolo Blanick

Eu sou aquele tipo de pessoa que observa o design dos sapatos. Ser uma pessoa ficcionada por sapatos me permite observar uma multiplicidade de modelos. Sapatos têm a finalidade de nos levar em segurança por aí.




Se nos fizerem mais bonitas, mais seguras, mais altas, tanto melhor.




Um bom tênis pode nos conduzir por longas distâncias. E um All Star pode ser inesquecível.

Mas uma galocha nos protege da chuva e da poça.


Um salto fino pode fazer toda a diferença.



Um detalhe amarelo ilumina. É puro YSL.


Um sapato vermelho pode ser fatal.


Uma piruice é legal de se permitir.


Pretinhos são clássicos básicos e elegantes.


Mas é um bico redondo que me tira do sério.




Christian Louboutin diz que a marca vermelha dos solados de seus sapatos maravilhosos é para que as mulheres deixem um rastro ao sairem, ao se moverem, deixando uma vontade de que as observemos por mais tempo quando se movem. Feminino que só...


Esse daqui dispensa palavras. Eu o acho lindo. O último YSL.


Nos pés de Giovanna Bataglia, a editora da Vogue Homem italiana, uma das mulheres mais elegantes na minha opinião.


Também gosto muito do trabalho da designer de sapatos paulista Sarah Chofakian.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Um gênio brasileiro em criatividade: Paulo Barros

"Acreditar, desafiar
Superar os limites do homem
Brincar de Deus, criar a vida
Querer voar e flutuar
"

Fiz um homenagem póstuma em outro post ao estilista inglês Alexander Mcqueen, que tristemente se suicidou no dia 11 de fevereiro desse ano de 2010. E acabei não fazendo um comentário mais do que justo sobre a criatividade e o talento do carnavalesco Paulo Barros, da Unidos da Tijuca.

A escola ganhou o título de Campeã do Carnaval carioca de 2010. E acho que foi mais do que merecido. A comissão de frente foi de uma excepcionalidade histórica. Embora o chatinho do Xexéu tenha implicado com o cara.

O abre-alas, que reproduzia o incêndio que destruiu a Biblioteca de Alexandria,
na Antiguidade, foi brilhante.


A bateria foi inovadora vindo de mafiosa. E estava um calor de derreter no Rio!


Eu não entendo muito de Carnaval. Nem sou tão fã assim da folia momesca, nunca fui fissurada por Carnaval, mas faço parte daquele grupinho que não nega que é um espetáculo indescritível. Só vendo para entender. Eu não morro por uma fantasia para atravessar a avenida. Mas adoro ver a cara de quem gosta desfilando, sambando ou pulando. Seja o que for.

O destemido Paulo Barros,
justiça seja feita,
é um gênio de criatividade.

Simples, visionário e ousado...

Nota 10!

A Unidos da Tijuca ganhou num ano em que fez um calor histórico no Rio de Janeiro, o carnaval de rua foi totalmente ressuscitado, provando que, infelizmente, a cidade não tem estrutura para o tanto de gente que vem brincar nos blocos e Madonna veio assistir aos desfiles no Sambódromo.

Foi um ano em que Copacabana ficou muito mais civilizada do que a praia de Ipanema e a onda foi mergulhar à noite no Arpoador. O Flamengo perdeu a taça GB, o sorvete Itália e o biscoito O Globo continuaram os ícones da estação nas praias, choveu pouco e eu perdi o contato com gente que eu gostava de conversar. Ah! E eu sinto que estou quietinha, em fase de mutação. Melhor ver o que acontece, sem perder o controle das coisas...

Alexander McQueen smells like teen spirit

""With the lights out it's less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito,
my libido
Yeah!"
Nirvana

Pegando carona no texto de Erika Palomino...

E lá se vai Alexander McQueen. Deixando um incrível legado. Rebeldia, contestação, inconformismo. Talento, técnica, transgressão. Ele foi encontrado morto em sua casa, em Londres, na manhã de 11 de fevereiro de 2010.

O estilista inglês era um ícone, um dos tradutores do espírito de sua geração. Vai fazer falta. O mundo fica (ainda) mais careta.

Deprimido com a morte da mãe dias antes, e talvez inspirado pelo próprio suicídio da mentora Isabela Blow, que o descobriu, McQueen seguiu este mesmo triste caminho aos 40 anos.


Filho de um motorista de táxi, McQueen aprendeu seu ofício com os mestres alfaiates de Savile Row, daí seu extremo domínio de corte e acabamento. Alfaitaria, punk, militarismo, natureza compõem o vocabulário único de seu estilo.


Criador de imagens, fez vestidos que alcançaram status de obras de arte, mostrados em apresentações que, temporada após temporada, sempre deixavam os fashionistas ansiosos, excitados e, quase sempre, em êxtase.
Expect the unexpected. E o inesperado acontecia.




Foi ele quem transformou Kate Moss em holografia de sonho no inverno 2006.


E criou o circo do terror,
em 2001,
onde bonequinhas do mal
e um carrossel
faziam parte do palco armado
num galpão em East London.





Fora das passarelas,
fez trabalhos com Bjork,lembrando os fugurinos de "Guerra nas Estrelas" e os adornos das mulheres girafas, da Indonésia.






No trabalho com o fotógrafo Nick Kight, para a revista "Visionaire" e a iconográfica imagem da modelo Devon Aoki;


E no ensaio histórico com deficientes na "Dazed & Confused".

Teimoso, radical, iconoclasta, McQueen será lembrado para sempre, como todo artista que deixa uma obra valorizada.

O mais emocionante dos seus desfiles, o do verão de 2004, foi inspirado em "A Noite dos Desesperados", de Sidney Pollack, em 1969.

Com coreografia do enfant terrible Michael Clark (outro cara contemporâneo), as modelos desfilavam as roupas como os participantes da maratona de dança do filme mostram.





Em McQueen o corpo é sempre político, e em suas coleções havia camadas de mensagens, mais ou menos explícitas, para os insiders da moda, para seus críticos e seus fãs.


O "final bow" do estilista aconteceu ao som de Lady Gaga, na primeira vez que o mundo ouviu "Bad Romance".

Depois do clipe, a cantora vestiria as roupas do desfile, marcando os tempos de hoje.
Mais contemporâneo impossível. Um grande legado.

Valeu, Lee McQueen.

"Contemporâneo é aquele que mantém fixo seu olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas o escuro. Todos os tempos são, para quem deles experimenta contemporaneidade, obscuros. Contemporâneo é justamente aquele que sabe ver essa obscuridade, que é capaz de escrever mergulhando a pena nas trevas do presente".
Giorgio Agamben, filósofo italiano.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O design no jeito de viver

Preciso reconhecer que nesses tempos de insatisfações multiplas, o projeto residencial batizado de "Jade Jagger for YOO", representa um dos meus sonhos de consumo.

A casa foi toda idealizada de um jeito que eu admiro muito.

Aliás, o post foi para diser que admiro o jeito de viver da Jade Jagger. É quase uma invejazinha mesmo, esse sentimento estupidozinho.

A marca YOO, de John Hitchcox e Philippe Starck representa empreendimentos imobiliários visionários mundo a fora. A YOO redefiniu projetos residenciais e o marketing imobiliário lá no início dos anos 2000, injetando inteligência, consumo consciente e personalidade em todo projeto que assina desde então.

Philippe Starck dispensa apresentações, mas mesmo assim, vá lá, o cara combina
excêntricidade com espírito igualitário. Com Starck, todo projeto, seja grande ou pequeno, vira um evento especial, ele é quase um "pop star". Imprevisível, mas ao mesmo tempo instantaneamente reconhecível, seu trabalho vai da concepção de motos e hotéis a espremedores de limão. Design puro na veia.

Sobre John Hitchcox, pesquisei e sabe-se que como co-fundador do The Manhattan Loft Corporation, ele teve participação no movimento do estilo de vida residencial em "lofts" - bem típico de Nova York, e que influenciou profundamente o mercado residencial do Reino Unido com projetos pioneiros no Soho, Notting Hill, Canary Wharf e Bankside (todos bairros de Londres).


Em 2004, eles se aliaram a Jade Jagger para criar o projeto "Jade Jagger for YOO" onde ela seria a diretora de criação, assumindo o papel de designer conceitual dos projetos residenciais.

Mas, o que encanta mesmo nos projetos de arquitetura da Yoo, é o conceito “pod living” criado por Jade, para um público single de alto poder aquisitivo.


O conceito é o de apartamentos de mais ou menos 80 m2, sem paredes e com um “cubo modular” no centro, interligando todos os ambientes, Cozinha, banheiro e armários ficam ali embutidos.

Esse é o conceito de pod house desenvolvido por ela.


O que Jade Jagger não sabe é que eu consigo criativade ainda maior num espaço bem menorzinho e para muito mais gente...

Todas as fotos até agora são do projeto residencial de um suburbio londrino que eu amei mas esqueci o nome. A casa é toda inteligentemente pensada.

Como designer, Jade ocupa, desde 2000, o cargo de diretora de criação da Garrard, criando jóias extasiantes para o joalheiro real da Inglaterra.

O posto de criação que ela desempenha na Garrard (descrito pela Vogue como o cargo que as pessoas "matariam para ter") é visto como o sopro por trás da remodelação radical da marca.

Conhecida por seu desencanado estilo de vida Londres/Ibiza e por seu trabalho de design, Jade combina luxo com valores hippies mais simples. Reforçando a filosofia de que mais é menos.

Acho ela o máximo.
E temos a mesma idade.
Sim, ela é filha do Mick Jagger com Bianca Jagger. Tem duas filhas adolescentes.
E muita personalidade.
Sobre sua vida pessoal,
apesar de estar há anos com o DJ Dan Williams,
declara por aí, quando perguntada,
que não acredita em monogamia.
E fala isso não para chocar, mas como quem está convicta e em paz com o que pensa e sente.
E o seu jeito de viver.


"“Eu me pergunto porque a sociedade moderna fez da monogamia a única opção. E por que na Inglaterra todos querem saber se você está com o fulano ou o beltrano? Por que eu não poderia estar com os dois?”"
Jade Jagger

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O código do talento

"Todo mundo tem um talento. O que é raro é a coragem de seguir o talento para o lugar escuro onde ele leva."
Erica Jong

Algumas pessoas nascem com um dom. Um tipo de presente que vem em seus DNA's. Uma espécie de magia própria. Algumas dessas pessoas, demonstram suas aptidões artísticas, esportivas, científicas ou seja lá quais forem, logo cedo, como se esses dons pulsassem incontroláveis dentro delas, levando-as a expressarem suas aptidões explicitamente.

Outras precisam de algum estímulo para desenvolverem suas habilidades geniais.
Tem as que descobrem seus dons por acaso. Outras, lamentavelmente, nunca os descobrem.

E mais triste ainda, na minha opinião, é quando algumas os identificam, mas não sabem ou não querem desenvolvê-los. Seja por uma questão de estima pessoal, falta de confiança ou por não saberem o que fazer com eles. E tem também aqueles casos injustos de falta de oportunidade.

Quem não descobriu sua própria inclinação, aquilo que a difere das demais, aquilo que lhe é tão peculiar, passa por essa vida com uma estranha sensação de inutilidade.

Mas aquelas que desperdiçam os dons que possuem, principalmente os artísticos, mesmo tendo consciência deles, me irritam. Talvez porque eu me sinta tão medíocre, tão admiradora do talento delas, que não aceito suas omissões. Para mim é o assassinato do encanto, do que vale à pena, do que as torna realmente interessantes.

Dito isso, divulgo aqui alguns desenhos de alguém que me é muito próximo e sufoca, dia-a-dia, o dom e o talento que vieram em seu código genético, e são inerentes a ela.

"Uma grande quantidade de talento é desperdiçada pela falta de um pouco de coragem. Todos os dias seguem para o túmulo, homens obscuros, cuja timidez os impediu de fazer uma primeira tentativa." Sidney Smith

sábado, 20 de junho de 2009

The Doors II

"Toc toc toc... "Hello! Is there anybody out there?" (Pink Floyd)


Se tudo são escolhas, então algumas escolhas erradas são feitas exatamente quando estamos perto de conseguir o que queríamos e acabamos por desistir de tentar. Mas acho que saber a hora de desistir é tão importante quanto a de lutar por aquilo que se quer. Devemos ser mais coerentes e menos repetitivos em nossas vidas. Isso é ser estratégico. É saber se defender. As experiências só podem ser totalmente absorvidas quando deixamos de nos iludir. Mas aí vem a dor pelo enfrentamento com o real. E depois da dor, vem a certeza de que há muitas outras coisas nessa vida que não podemos prever, e por isso mesmo adiamos sua chegada.

Seria bom se pudéssemos parar de nos iludir tanto e reconhecessemos logo as falhas que nos atrapalham, os nossos erros de repetição, as nossas neuroses. Porque é impossível que não exista um mínimo de ilusão em nossas vidas. Ninguém é tão dono da verdade assim. Eu nem pretendo ser. Cada um de nós descobre o quanto de ilusão é capaz de suportar e por quanto tempo. Como diria Caetano: "Cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é"

Em situações que não podemos controlar, quando a ilusão de desfaz, penso que desistir de algo não significa necessariamente falta de coragem ou de ambição, mas não se ter mais a certeza de que esse algo valha à pena... Ou ainda porque uma determinada ilusão já te maltratou demais, já te consumiu tanto que não se justifica mais. É hora de novas escolhas, ainda que velhos hábitos e idéias nos paralisem, estreitando nossa percepção, gerando insegurança, medo e nos levem ao adiamento de atitudes que precisam ser tomadas. É preciso abrir algumas portas para as possibilidades que estão do outro lado. Metafórico assim.

Li um negócio que eu achei bem interessante fazendo uma analogia com portas, algo que eu, obviamente, também gosto:

"Se você abre uma porta, pode entrar em uma nova sala. Você pode não entrar e ficar observando a vida.
Mas, também, se você vence a dúvida, o medo e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se.
Mas, também, tem um preço... São inúmeras as outras portas que você não abre.

Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. As portas não são obstáculos, mas diferentes passagens..."

E tem aquela música de A Cor do Som que diz:

"Abri a porta, apareci. O bom da vida, sorriu pra mim."

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O design e tudo o que é belo



Há um tipo de beleza nas linhas e formas das coisas, dos objetos... Há uma diferença entre um trabalho bem feito, artesanal e um trabalho apenas terminado. Existe uma dedicação que se aplica ao primeiro que não se encontra no segundo. Essa é a diferença entre a criação de uma peça cujas formas podem gerar diferentes interpretações e são chamadas de objeto design - por pura falta de expressão melhor - e a criação de um objeto de consumo das massas, cujo fim acaba em si mesmo.






Por exemplo, as cadeiras do ambiente onde você está agora. Se é que existem cadeiras nele... De que material são feitas? De madeira? Acrílico? Ferro? Palha? São belas? Confortáveis? Não dizem nada? Quantos pés têm? E têm braços? São estofadas? São de época? Giram? São coloridas? Ou sóbrias?






Puxa, quantas perguntas podemos elaborar a partir de uma simples idéia de cadeira cuja finalidade, presumo, seja apenas proporcionar conforto.

Algumas pessoas não conseguem nem se lembrar das cadeiras que utilizam todos os dias, em casa ou no trabalho, por exemplo. Não há nada de errado com elas. São apenas pessoas que não registram na memória os detalhes de determinados objetos, como uma cadeira, porque já têm UM conceito formado de cadeira e observam tais objetos apenas pelo fim que eles encerram: assento e conforto.





Mas há pessoas que se interessam pelo design e os detalhes das coisas, como se houvesse uma harmonia nas formas provocando beleza, criatividade e funcionalidade.

Existem vários designers de renome e trabalhos maravilhosos. Inclusive brasileiros de muito talento.










1. Louis Ghost - de Philipp Starck
2. Cadeira Tulip - de Eero Saarinen
3. Cadeira Swan - de Arne Jacobsen
4. Cadeira Tom Vac - de Ron Arad
5. Ih... Deu branco... Mas é brasileira!

The Doors



Gosto de portas. Portas sempre permitem possibilidades diversas. Portas representam realidades diferentes acontecendo ao mesmo tempo. A do lado de dentro e a do lado de fora. Open your mind... Open the doors...


"Se as portas da percepção fossem abertas, tudo apareceria ao homem como realmente é, infinito". Willian Blake

Have you ever...?


Olha eu aqui tentando dizer alguma coisa… Outro dia pintei as unhas de vermelho. First time. Juro! Não pintava porque achava que não combinava comigo. Dessa vez, aconteceu. Me permiti. Meu gestual até ficou diferente… Falaram que isso era uma coisa legal de se fazer antes de completar 40 anos. Também achei. Então fiz uma listinha de coisas que se ajeitaram direitinho à pergunta: Have you ever…? Definitivamente I haven't done um monte de coisas... Vale à pena correr atrás. Tic Tac, Tic Tac. O tempo não pára. Não pára, não. Não pára.